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Como as chuvas influenciam na qualidade do solo

Existe um fator na agricultura muito importante, mas que está fora do controle do agricultor: a chuva. Quando em grande intensidade pode prejudicar o cultivo e quando escassa, causa o mesmo problema. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), cerca de 33% das terras têm alto ou médio grau de degradação ocorrido devido às chuvas. 

Conforme explica o Engenheiro Agrônomo, mestre em Ciência do Solo e professor do curso de Agronomia da Uceff Chapecó, Carlos Zandona Rupolo, isso acontece porque o solo não tem a cobertura orgânica necessária para protegê-lo. “Se o solo não for bem manejado pelo produtor, a chuva torrencial pode fazer acontecer o surgimento de processo erosivo do solo, que é o carregamento das partículas e nutrientes da terra para longe da planta”.

No sistema de plantio direto, a utilização de palhada se tornou uma técnica para amenizar os efeitos negativos da chuva no solo e reduzir processos erosivos. A palhada tem a função de proteger a terra e pode ser comparada com um guarda-chuva, pois protege o solo da ação direta dos raios solares, mantendo a sua temperatura e retendo a sua umidade. Protege o solo da ação desagregadora do impacto direto das gotas de água das chuvas, reduzindo a erosão que causa a perda de solo e de água, a contaminação e o assoreamento de nascentes, rios e reservatórios de água.

Além da cobertura de palha, o agricultor tem outras opções para evitar a compactação e erosão do solo, assim como a perda de nutrientes. O primeiro são barreiras físicas como subsolagem em faixas e terraceamento, principalmente para terrenos declivosos e a outra opção são áreas de preservação permanente, para proteger os recursos hídricos próximos aos locais de plantio.

A chuva e a qualidade do solo 

“Para que o adubo sólido seja absorvido pela planta é necessário que seja dissolvido em água, neste caso, chuva. Assim a planta absorve o nutriente na solução da terra e isso corresponde a água + nutrientes”, exemplifica Rupolo. 

Além disso, a qualidade do solo é variável e determinante para que os demais fatores obtenham resultados positivos. Por isso, as três propriedades presentes na terra precisam ser levadas em conta. São elas: 

  • Propriedade química: reação do solo, disponibilidade de nutrientes, interações entre estes;
  • Propriedade física:  aeração, retenção de água, compactação, textura, estrutura;
  • Propriedade biológica: quantidade e composição da matéria orgânica além da biomassa microbiana.

            “Eu posso ter um solo de alta qualidade química, porém ele tem baixa qualidade física. Ou vice-versa. Por exemplo, existe uma classe de solos chamada vertissolo. Essa classe é o solo que quimicamente falando, é muito fértil. O problema é que do ponto de vista físico é de péssima qualidade, porque quando está seco vira um tijolo e não é possível manejar e quando ele está úmido, vira uma lama”, explica Rupolo. 

            Tendo em vista isso, o agricultor precisa da análise de solos e planejamento da área de cultivo, para que a produtividade da cultura seja garantida. 

Foto: Deposithe